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quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres - Pablo Neruda

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A desvalorização da mulher

Recebi esse e-mail de um amigo e achei bem interessante para ser trabalhado nas aulas não só de Língua Portuguesa quanto de arte. Caso o professor queira também tem como trabalhar as músicas brasileiras como forma de apresentar aos alunos a Música Popular Brasileira (MPB). É fundamental que possamos mostrar aos alunos essa cultura que a cada dia está diminuindo se já não acabou rsrs.


A desvalorização da mulher
·         Década de 10:
O rapaz de terno, colete e cravo na lapela, embaixo da janela dela, canta:
“Tão longe de mim distante, onde irá teu pensamento?
Quisera saber agora se esqueceste se esqueceste juramento.
Sabe se és constante, se ainda é meu teu pensamento minha’alma toda de fora,
De saudade
Agro tormento.”

·         Década de 20:
Ele de terno branco e chapéu de palha, embaixo do sobrado em que ela mora, canta:
“O linda imagem de mulher que me seduz!
Ah, se eu pudesse tu estarias num altar!
És a rainha dos meus sonhos, és a luz. És malandrinha, não precisas
Trabalhar.”

·         Década de 30:
Ele, de terno e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
“Tu és divina e graciosa, estatua majestosa!
Do amor por Deus esculturada.
És formada com o ardor da alma da mais linda flor, de mais altivo dolor, que
Na vida é a preferida pelo beija flor.”

·         Década de 40:
Ele ajeita seu relógio Philip na algibeira, escreve para a Radio Nacional e manda oferecer a ela linda música:
“ A deusa da minha rua tem os olhos onde a lua, costuma e embriaga
Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade
Buscar.”

·         Década de 50:
Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar
Moça do corpo dourado do sol de Ipanema
O teu balançado é mais que um poema.
É a coisa mais linda que eu já vi passar...”

·         Década de 60:
Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme:
“nem mesmo o céu , nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é
Maior que o meu amor, nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar,
Como é grande o meu amor
Por você...”

·         Década de 70:
Ele chega em fusca, com tala larga, sacode o cabelão, abra a porta para mina entrar e bota uma melo jóia no toca fitas:
“Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha para ficar.”

·         Década de 80:
Ele telefona para ela e deixa rolar um:
“ Fonte de mel nos olhos de gueixa, kabuqui, máscara
Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe
Do sol...”

·         Década de 90:
Ele liga para ela e deixa gravada uma música na secretaria eletrônica:
“ bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz.
Mas já não há caminhos para voltar.
E o que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?”

·         Em 2001:
Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela por e-mail:
“ Tchuchuca! Vem aqui com seu Tigrão
Vou te jogar na cama e te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão! Vou sim, vou sim!
Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim!
Vou aparar ela rabiola! Vou sim! Vou sim!

·         Em 2002:
Ele para o chevetinho 81, rebaixado, e no mais alto volume solta o som:
“Vai Serginho, vai Serginho...
Vem minina num si ispanta, vô goza na tua garganta...”

·         Em 2005:
Ele vai num baile funk e pede para o Dj tocar:
“Só as cachorra, uh, uh,uh,uh
As preparada, uh,uh,uh,uh
As popozuda, uh,uh,uh,uh

ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS?

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

Peça para um homem descrever um mulherão.
Ele imediatamente vai falar no tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos...
Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1,80 m, siliconada e com um lindo sorriso.
Mulherões, dentro desse conceito, não existem muitas: Vera Fisher, Malu Mader, Adriane Galisteu, Letícia Spiller, Lumas e Brunas.

Agora, pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma em cada esquina...
Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir ao trabalho e mais dois para voltar e, quando chega em casa, encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome.
Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matrícula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de R$ 100,00.
Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana.
Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.
Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dietas, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.
Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos na natação, busca os filhos na natação, leva os filhos para a cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz.
Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega. É quem, de manhã bem cedo, já está de pé, esquentando o leite.
Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava a roupa para fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e, à tarde, trabalha atrás de balcão.
Mulherão é quem cria os filhos sozinha, é quem dá expediente de 8 horas e enfrenta menopausa, TPM e menstruação.
Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.
Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para azia.
Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas: mulheres nota 10 no quesito lindas de morrer, mas mulherão é quem mata um leão por dia!